Foi desenvolvido um estudo de classificação de ruído de fachada para um empreendimento residencial multifamiliar localizado no bairro Itaim Paulista, em São Paulo/SP.

O objetivo foi determinar os níveis de ruído incidentes nas fachadas das torres projetadas e classificar o empreendimento conforme a ABNT NBR 15575-4, fornecendo diretrizes para o desempenho acústico das vedações externas.

Modelo de predição acústica de ruído incidente em fachada conforme NBR 15575
Realização de medições acústicas no local de implementação do empreendimento

Problema

O empreendimento está inserido em uma região urbana complexa, com múltiplas fontes de ruído:

• Tráfego intenso na Av. Marechal Tito
• Tráfego na Av. Diogo da Costa Tavares
• Linha férrea no fundo do lote
• Indústria têxtil (Mash) na lateral
• Ruído urbano comunitário

Essa combinação cria um cenário crítico para o projeto de fachadas, exigindo avaliação precisa para garantir conforto acústico interno e conformidade normativa.

Diagnóstico

Modelagem acústica

Foi desenvolvido um modelo tridimensional no software IMMI, baseado na ISO 9613, considerando:

• Geometria completa do empreendimento (20 torres)
• Sistema viário e linha férrea
• Indústria adjacente
• Edificações do entorno

A modelagem foi calibrada com medições reais de campo, garantindo representatividade dos resultados.

Critério de classificação

A classificação seguiu a NBR 15575-4:

• Classe I: ≤ 60 dB(A)
• Classe II: 61 a 65 dB(A)
• Classe III: 66 a 70 dB(A)

Avaliação por altura

Foram analisados três níveis representativos:

• 4 m (pavimentos baixos)
• 20 m (intermediários)
• 36 m (superiores)

Os resultados mostram claramente o efeito da altura na exposição sonora.

Solução

A solução adotada foi baseada em predição acústica completa do cenário urbano, permitindo:

• Identificar as fachadas mais críticas
• Avaliar a influência de cada fonte sonora
• Classificar o ruído incidente por torre e orientação
• Gerar mapas de ruído detalhados

📊 Conforme os mapas apresentados (páginas 13 a 15), observa-se:

  • A 4 m: maior efeito de barreiras (muros/edificações)
  • A 20 m: aumento da exposição sonora
  • A 36 m: comportamento variável conforme posição das torres

Resultados

Visão geral

• Predominância de Classe I no empreendimento
• Ocorrências pontuais de Classe II e III
• Casos específicos acima da Classe III

Principais pontos críticos

Influência da indústria (Mash):
• Fachadas leste com maiores níveis
• Torre 11 com até 76,8 dB(A) (20 m)
• Níveis acima da Classe III em pontos específicos

Influência do tráfego e ferrovia:
• Fachadas norte com aumento de níveis
• Classes II frequentes nas torres posteriores

Efeito da altura:
• Aumento dos níveis com a elevação
• Redução do sombreamento acústico
• Maior exposição direta às fontes

📊 Segundo a análise (páginas 27–28), as principais fontes dominantes são:
• Indústria Mash (principal impacto)
• Tráfego viário
• Linha férrea (impacto localizado)

Conclusão

O estudo demonstrou que:

• A maior parte do empreendimento apresenta Classe I de ruído, com condições favoráveis
• Existem zonas críticas localizadas, principalmente próximas à indústria
• A atividade industrial é o principal fator de impacto acústico
• O tráfego e a ferrovia complementam a exposição sonora

Do ponto de vista de projeto:

• Fachadas padrão atendem grande parte do empreendimento
• Áreas críticas exigem alto desempenho de isolamento acústico
• Pode haver impacto direto no custo construtivo se não houver mitigação na fonte

O estudo reforça a importância da classificação de ruído de fachada ainda na fase de projeto, permitindo decisões técnicas mais eficientes e evitando retrabalho ou soluções superdimensionadas.

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