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Bar é fechado em São Paulo por poluição sonora: o caso do Bar Número

    Bar numero é fechado em SP por causa de ruído

    A poluição sonora em áreas urbanas voltou ao centro das atenções em São Paulo após o Ministério Público solicitar o fechamento do Bar Número, localizado na Rua da Consolação, no bairro dos Jardins. O pedido ocorreu após anos de reclamações de moradores, medições de ruído acima do permitido por lei e a constatação de diversas irregularidades administrativas.

    O caso mostra, de forma prática, como o ruído excessivo pode evoluir de um problema de vizinhança para uma ação judicial com risco de fechamento definitivo do estabelecimento.

    O problema: ruído acima do permitido e impacto direto na vizinhança

    O estabelecimento está situado em uma Zona Mista, onde bares e restaurantes podem operar desde que não causem impacto sonoro à vizinhança. No entanto, moradores relataram que, após a implantação de apresentações com DJs e música amplificada, o nível de ruído passou a inviabilizar o descanso noturno.

    Segundo os relatos, o incômodo sonoro ocorria por:

    • Música amplificada no interior do bar
    • Vibração sonora percebida dentro dos apartamentos
    • Conversas de frequentadores na calçada e nos fundos
    • Tráfego e buzinas associados à movimentação noturna

    Medições técnicas confirmaram a poluição sonora

    Após inúmeras denúncias, foi realizado um estudo de ruído ambiental externo, que apontou:

    • 66 dB(A) na frente do bar, devido à aglomeração de pessoas na calçada
    • 57 dB(A) nos fundos do imóvel, onde havia mesas e cadeiras
    • Limite legal permitido: 45 dB(A) no período noturno

    Esses valores caracterizam poluição sonora, especialmente em áreas com uso residencial, onde o controle do ruído noturno é mais rigoroso.

    Consequências legais: fechamento, multas e indenizações

    Diante da reincidência e da falta de adequações efetivas, o Ministério Público ingressou com ação judicial solicitando:

    • Fechamento imediato do estabelecimento
    • Multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento
    • Cassação do alvará de funcionamento
    • Multa de R$ 200 mil por evento caso o ruído persista
    • Indenização coletiva de R$ 500 mil por danos morais
    • Indenizações individuais aos moradores afetados

    O Município de São Paulo também foi incluído na ação por omissão diante das irregularidades recorrentes.

    Irregularidades além da poluição sonora

    Além do ruído excessivo, foram apontadas outras irregularidades relevantes:

    • Funcionamento de pista de dança sem autorização
    • Alterações na edificação em desacordo com o projeto aprovado
    • Lotação superior ao permitido
    • Ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros
    • Serviço de manobrista irregular
    • Descumprimento de acordo para execução de obras de isolamento acústico

    Esse conjunto reforçou o entendimento de que o problema não era pontual, mas estrutural.

    Erro comum: tentar resolver ruído sem projeto acústico

    Um erro frequente em bares e casas noturnas é tentar resolver a poluição sonora com soluções improvisadas, como:

    • Isolamento parcial sem cálculo
    • Materiais inadequados para baixas frequências
    • Tratamentos internos que não atuam no ruído externo
    • Falta de controle do som gerado fora do estabelecimento

    Sem um projeto acústico completo, o investimento acaba sendo ineficiente e o problema persiste.

    Normas técnicas e legislação aplicáveis

    Casos de poluição sonora urbana normalmente envolvem:

    • Medições de ruído ambiental conforme normas técnicas
    • Limites específicos para período noturno
    • Avaliação do impacto à vizinhança
    • Elaboração de laudos acústicos para fins legais

    Quando procurar um especialista em acústica

    É fundamental buscar apoio técnico quando houver:

    • Reclamações frequentes de moradores
    • Atividades com música amplificada à noite
    • Notificações do PSIU ou do Ministério Público
    • Expansão ou mudança no uso do imóvel

    A combinação de laudo acústico + projeto de isolamento é a única forma segura de garantir conformidade legal e evitar interdições.

    O caso do Bar Número mostra que a poluição sonora não é apenas um incômodo subjetivo, mas um problema técnico, legal e social. Ignorar o impacto do ruído pode resultar em multas elevadas, fechamento do estabelecimento e prejuízos à imagem do negócio.

    Planejamento acústico é segurança jurídica, não custo.